Observatório

Tuesday, March 28, 2006

Época de propaganda eleitoral

Em sua última edição, Época não esconde o teor de sua matéria, ou melhor, o que quer propor ao leitor, na matéria intitulada "Dará tempo para Alckmin?". Isso pode ser constatado já na primeira frase."Será que, até a eleição, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, alcançará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva?", pergunta a revista.

Apesar de empregar uma linguagem pretensamente "descolada", informal, que tenta dialogar com o leitor, Época não consegue fugir da editorialização do texto - assim como a maioria das revistas brasileiras.

Mesmo quando a matéria adota o bom humor - afirma que a próxima disputa eleitoral para a presidência será "um Fla x Flu entre os que amam e os que odeiam Lula" - ela não consegue esconder sua defesa à candidatura de Alckmin.

Dessa forma, a revista reduz uma disputa eleitoral, que mal começou, a um cenário com apenas dois lados. Segundo Época, o cenário eleitoral será apenas um teste de forças entre Alckmin e Lula. Boa parte da matéria, álias, defende que a candidatura de Antony Garotinho é improvável, apesar do PMDB ainda não ter decidido se terá candidato próprio. "A data do enterro da candidatura de Garotinho foi marcada para 7 de abril", setencia a revista.

Época foge de um dos principais preceitos do jornalismo, ou seja, a concessão igualitária de espaço para os diferentes protagonistas do fato a ser divulgado. Para isso, a matéria concentra-se em apresentar possíveis cenários para um bom desempenho de Alckmin nas eleições. Tal possibilidade vem a tona quando a revista refere-se à desistência da candidatura de Garotinho, a aliança do PSDB com o PFL e a renúncia de Serra à prefeitura de São Paulo.

No entanto, mesmo quando Lula possui 42% da intenção de votos - segundo a última pesquisa do Datafolha - enquanto Alckmin possui 23%, a possibilidade da vitória de Lula não é abordada em nenhum momento na matéria.
Porém, são três os momentos nos quais Época procura demonstrar que Alckmin tem fatos a seu favor para ganhar a disputa. A primeira é quando reproduz as declarações do assessor do PSDB e do PFL. "Alckmin é um candidato bastante competitivo", opina Antônia Lavareda.

A segunda é quando a revista ridiculariza Lula ao publicar uma foto no qual ele está vestido de índio. Na legenda, escreve: "com popularidade alta, Lula desafia até amaldição de cocar de índio".

Enquanto isso, a terceira acontece no fechamento da matéria e pretende colocar a credibilidade do atual presidente em cheque. Segundo a revista, "a dúvida é se essa melhora na popularidade de Lula vai resistir a novos fatos negativos, como as seguidas absolvições de mensaleiros no Congresso ou o caso Palocci."

A última edição de Época é uma aula de parcialidade e de propaganda política. A matéria tem como objetivo defender uma possível vitória de Alckmin frente a um governo fragilizado. Além disso, a publicação quase que fornece uma estratégia para a vitória do candidato do PSDB. Tal fato é explícito no box que cita "os desafios que Alckmin terá de superar para tirar a vatagem de 20 pontos percentuais de Lula". É quase como um livro de auto - ajuda para os defensores do candidato da oposição.


Para ler a matéria, acesse http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT1164323-1659,00.html

Sunday, March 26, 2006

As eleições presidenciais em Época: uma retrospectiva

O ano eleitoral começou cedo para a revista Época, publicação semanal da editora Globo. Já na primeira edição do ano, do dia 2 de janeiro, ela aborda o tema - ainda que de forma periférica - numa reportagem cujo título é: "Com a proximidade do pleito, governantes abrem os cofres e desenterram promessas".

No dia 16 especula sobre a possibilidade de o ministro Nelson Jobim filiar-se ao PSB ou ao PTB para ser o vice da chapa de Lula. No dia 30, traz a seguinte manchete: "Eleições - Lula convence Palocci a afrouxar a economia em 2006".

Em 13 de fevereiro, a primeira reportagem de capa que contempla o tema. Época tenta elucidar as razões do apoio a Lula, apesar das denuncias de corrupção. Na chamada de capa questiona o leitor: "Por que Lula resiste - Apesar das denúncias de corrupção, Lula desponta como favorito na corrida presidencial. Qual é o mistério?"

No dia 20, trata do assunto de forma criativa: a influência que a Internet vai exercer no pleito. Uma semana depois, traz uma reportagem sobre a recuperação de Lula entre a classe média e seu avanço em redutos do PSDB.

Na edição do dia 20 de março, mais uma reportagem de capa sobre a corrida presidencial. Nessa edição, Época dedica-se a esmiuçar a candidatura de Geraldo Alckmin. A matéria traz as idéias, os projetos e as estratégias do tucano para tentar vencer Lula na disputa pelo Palácio do Planalto.


 
http://revistaepoca.globo.com/