Observatório

Saturday, May 27, 2006

Jatinhos, PCC...Será que Alckmin sobrevive?

Os ataques perpetrados em São Paulo pela organização criminosa monopolizaram a atenção das revisas semanais, como era esperado. Em sua cobertura, publicada na edição do dia 22 de maio, Época traz uma pequena entrevista com Geraldo Alckmin.

Servindo-se da revista como palanque eleitoral, o ex-governador credita parte da responsabilidade pela falência da segurança pública em São Paulo ao presidente Lula. A revista insiste na obviedade e escreve: os ataques aranharam a reputação do candidato tucano.

Na seção Bastidores, uma nota breve afirma: O PSDB força Alckmin a usar jatinho em vez de avião de carreira na campanha. A revista informa que a insistência do candidato tucano na segunda opção está gerando desentendimentos que podem desembocar num desgaste maior e até mesmo emperrar sua candidatura.

A cúpula do PSDB prefere jatinhos – alugados ou emprestados por admiradores da campanha – porque eles evitam os possíveis atrasos de aviões de carreira.

A reportagem dos ataques e a notinha acima lançam uma questão: será que Época está interessada - ela própria - em emperrar a candidatura do ex-governador paulista?

Conclusões para esse questionamento, no decorrer da cobertura da corrida eleitoral.

Monday, May 22, 2006

15 de maio

Lucidalva Ageu, lavadeira e residente em Escada, interior de Pernambuco, passava fome antes de ganhar os R$ 80 do projeto Bolsa Família. Ela e os outros 3871 beneficiados do município. “Tinha dia que a gente não tinha nada mesmo. A gente não dormia porque os meninos choravam de fome”. Ao começar com um depoimento que comove quem usa essa mesma quantia para ir ao teatro ou comprar um livro, Época põe lá para cima o projeto do governo Lula. Logo em seguida passa uma rasteira. O lide fica desligado do que se segue.

Os R$ 80 salvaram Lucidalva? Não, não passaram de um galhinho seco estendido a quem submerge num campo de areia movediça. Não é a falta de dinheiro, não é a escassez de riquezas naturais, muito menos a fragilidade econômica. Então é o que? A velha e conhecida má distribuição: 10 para mim, meio para você.
Época então enfoca nosso assunto: eleições. Sugere, assim como eu, o debate da questão e não a adesão a propostas partidárias oportunistas e rasteiras.

Mas ficou certo ar de Lula salvador....

15 de maio Condenado ao descanso

O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, decretou suas férias até o final da Copa do Mundo (que conveniente). Viajou para os Estados Unidos e lá reorganizará sua outra atividade, segundo ele “muito prejudicada por jogadas políticas”: a de consultor profissional.

Enquanto isso, nosso presidente Lula não esquece de seu companheiro e interrompe seu descanso. Ele quer que Dirceu dê uma mãozinha a Aloizio Mercadante, efetivando sua candidatura ao Governo da São Paulo. O ex-ministro, como bom consultor, prometeu por as mãos e os braços nessa empreitada, ainda fazendo sobrar uns votozinhos para o Planalto Central.

Agora, segundo consultores profissionais experientes, desligar-se de cargo público por suspeita de grave corrupção é sinônimo de férias.

Monday, May 15, 2006

Edição de 8 de maio

Contrariando a lógica de sua cobertura - que esquadrinhava a corrida eleitoral semanalmente - Época abandona as eleições presidenciais na edição de 8 de maio, dedicando-se a mencioná-la de forma periférica.
A revista traz algumas manchetes que fazem referência à corrida presidencial, sem nenhuma matéria sobre o tema: há uma notinha sobre o vice-presidente na seção Bastidores e uma reportagem sobre a greve de fome protagonizada por Garotinho.
Mais interessante é, sem dúvida, a matéria Nacionalização do gás boliviano mostra que Lula está perdendo papel de líder do continente. Nela, a revista parece apostar no incidente para desgastar a imagem do candidato pestista.


 
http://revistaepoca.globo.com/